quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Derrocada no Carnaval Carioca

Alguns resultados desse carnaval não foram bons. Nem pra quem torce, nem pela história do samba.
 
Lembro-me que em 2003, ano que eu e meu parceiro de composição, Silas Nascimento, tivemos o prazer de conquistar a disputa de samba-enredo na Renascer de Jacarepaguá, o que seria nossa primeira vitória dentro do mundo do samba. A escola desfilou na terça-feira de carnaval, na Marquês de Sapucaí, com os componentes e parte da arquibancada cantando o hino composto por nós dois. Prazer inesquecível. E nesse mesmo ano, pouco antes do carnaval, visitamos algumas escolas, chamadas de coirmãs, para divulgar nosso trabalho, nossa conquista, e aproveitamos uma determinada noite para comparecer a uma final de samba na Unidos do Uraiti, em Rocha Miranda.
A festa estava bacana, apesar da quadra não muito cheia, mas foi um evento diferente, inusitado. Dentre os finalistas, uma dupla de cegos, cuja parte da sua torcida portava a mesma deficiência. Foram campeões. Emocionou a todos. A escola ainda pertencia ao Grupo D, e desfilava na Intendente Magalhães, em Campinho.
 
Certo dia, passei em frente a quadra da Uraiti, e percebi que estava fechada. Parecia em obras. E por outras vezes, e mais vezes transitando por lá, e tudo permanecia do mesmo jeito. Até que descobri que a escola tinha perdido o seu rumo: caiu até virar bloco. O sentimento foi ruim, pois atrás daquele muro havia uma história dentro do carnaval carioca, havia pessoas com sentimentos verdadeiros pela escola, afinal de contas, ela foi fundada em 1960, e acabar assim é triste demais.
 
Comecei falando da Uraiti para apresentar minha angústia maior: o declínio da União de Vaz Lobo, escola onde concorri pela primeira vez num concurso de samba-enredo. Da mesma forma, em 2012 está também foi rebaixada a bloco, desfilando na Av. Rio Branco. E permanece. A sua fundação é mais antiga ainda, 1930, e ilustres personagens do samba carioca tiveram sua passagem por lá, como a ex-porta-bandeira Vilma Nascimento e Juju Maravilha, assim como o grande compositor Zé Keti. Ultimamente, perdeu parte da sua quadra, localizada na Av. Ministro Edgard Romero, para as obras da TransCarioca.

E para completar, esse ano, mais uma rompeu ladeira à baixo: Vizinha Faladeira, que é de 1932, escola da Zona Portuária. Esta já chegou enrolar a bandeira por 48 anos, retornando em 1989.

Questões: O que precisa para administrar uma escola de samba? Quais os maiores problemas que ocorrem para escolas desse porte chegarem onde estão chegando? Falta amor ao pavilhão? Verba? Organização? Será desleixo?

Enfim, fica registrado meu desalento.


Por Leo Nunes.

 

3 comentários:

Rosangela Lustosa disse...

Fundar uma Escola de Samba, manter,desenvolvê-la e levar a avenida por anos consectivos, não é tarefa fácil.Precisa antes de tudo, de um líder, uma comissão muito organizada e por fim muito amor à sua bandeira. Precisa de uma comunidade aguerrida, raça... Se falta qualquer uma destas coisas, ela está condenada a desaparecer.

Anônimo disse...

Li o texto, parabéns Leo Nunes e confesso ficar triste, escolas antigas e de pouca repercussão perante as grandes potencias, pois, escolas grandes estão sempre cheias de fanáticos, onde a onda é, de modismo e outras figuras de interesse q muitas vezes não é de samba e nem de carnaval, diga-se de passagem. Sem contar o muitos compromissos q uma escola e outra tem, q continua a ser de autoridade das grandes. Hoje administrar uma escola de samba é mais q um profissional, tem q ser um amante de vocação sambística. Eu acredito no samba enredo bem elaborado, educativo e construtivo; irreverente, alegre, critico e participativo, requintes de um tempero a moda antiga. Sem o samba, q é verdadeiro carro chefe de uma escola de samba, não há carnaval. Agradeço pelo espaço

Anônimo disse...

Bom dia Leo, não gosto e entendo nada de carnaval, mas tbém nao tenho nada contra, gostei do seu comentário, do seu amor pela escola, se muito fosse como vc , quem sabe não seria diferente....abraços.