quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ao Volante IV: "Aiports"???

Como eu queria ter passado por esse lugar nessa quarta-feira... Enfrentava mais esse engarrafamento para poder presenciar o exposto na foto. De qualquer forma, vale o registro como comentário.
Foto: Márcio Luiz Rosa - Jornal Extra
O mico da semana no trânsito da cidade do Rio de Janeiro veio da própria prefeitura. Na verdade, o vacilo foi duplo: primeiro que o caminho indicado pela placa só leva ao Aeroporto Santos Dumont, o que não justifica o plural, pois o Tom Jobim, o segundo, localizado na Ilha do Governador, não tem nada a ver com o trajeto. E o "prato principal" da anedota é o equívoco na tradução para o inglês, "Aiports". 

Falta grave! Acredito que o Prefeito não deve ter gostado nada disso. Será que a empresa responsável continuará nessa empreitada depois dessa? 

Inclusive, um problema maior que as inexatidões ortográficas nas placas é a falta delas espalhadas pela cidade. Isso trará muita complicação nesses eventos de grande porte para quem não conhece a Cidade Maravilhosa. Diga-se de passagem, isso já vem acontecendo, mas isso é um outro assunto.

A reportagem do Jornal Extra detalha melhor o assunto abordado, e nos serviu de base para esse texto.




Por Leo Nunes.



domingo, 26 de maio de 2013

Ao Volante III - Posto de Saúde ou de Lixo?

Enfrentar um engarrafamento logo cedo não é nada contagiante. Ainda mais quando se depara com uma cena dessa:



Esse local atrás dessa montanha de lixo, nada mais é do que um posto de SAÚDE. Isso mesmo, um posto de SAÚDE. Pergunto-me: como se pode ter saúde num ambiente desse?

E digo mais, não foi a primeira vez que vi esse absurdo nesse mesmo lugar, mas dessa vez, tive que dar um jeito de fotografar. 

Por que cada morador não armazena seu próprio lixo em suas casas até o dia da coleta em vez de jogar num ponto em comum? Pior ainda quando esse local se trata de um espaço destinado a cuidar da saúde da população, e a própria deposita sujeira, inadequadamente, junto ao seu muro.

Precisamos acordar, meu povo! Não adianta reclamar, pedir, pleitear, exigir melhorias das autoridades competentes se não fizermos a nossa parte. Isso não é nenhuma novidade pra ninguém.

Enfim, vida que segue.



Por Leo Nunes.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ao Volante II - Mãe é Mãe.

Mãe é mãe. Sejam as racionais ou as irracionais - estas, do reino animal. Apesar de que, não acredito que exista irracionalidade nem mesmo entre as mães do mundo animal, haja vista o episodio que presenciei, porém não consegui registrar por inteiro.


Eis na foto, um pequeno cavalinho que se alimentava à beira de uma rua, na Barra da Tijuca, posto numa curva. Não consegui fotografar uma égua que estava quase ao meio fio, próximo a ele, sua mãe.

A curva era bem acentuada, e parece que a mãe percebeu isso. Logo, ficou exatamente entre os carros e o filhote, fazendo a sua proteção, enquanto ele comia o capim sem nenhuma preocupação. Para ela, poderia acontecer o que fosse, que nada incomodaria a refeição da sua cria. É como se seu corpo fosse uma superbarreira, um escudo que o defenderia de qualquer carro desgovernado naquela pista.

Para o instinto de mãe, não há lugar, hora, dia, elas são sempre protetoras, carinhosas, belas, heroínas, e outras dezenas de predicativos. 

Foi uma cena bem bacana, e justo na semana do dia delas, apesar que todo dia é dia das mães, como a nossa personagem de hoje, preservando o filhote de maneira bem "racional".

Mãe é mãe.



Por Leo Nunes.




segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ao Volante I - Cachorrada!

Semana passada, presenciei uma cena que me arremessou ao passado. Tem coisas que aconteceram na infância que nunca esqueci. Por outro lado, não lembro o que jantei ontem. Mas vida que segue.

Certa vez, no túnel do tempo, estava caminhando, junto com colegas de classe, para o ponto de ônibus. Era início do ginásio - hoje, ensino fundamental -, quinta ou sexta série, não me recordo bem. Estávamos saindo de mais um dia de aula. Virando a esquina da rua da escola, deparei-me com uma coisa que me imobilizou na hora: dois cachorros, ou melhor, um cachorro e uma cadela grudados um ao outro. Ele por cima, ela imóvel por baixo. Pessoas assistiam como se fosse um ringue, ou uma briga de galo, sei lá, algo do gênero. O movimento do cão parecia a velocidade cinco, conforme o funk menciona. Ela continuava na dela, e o povo vibrava esperando o final. Pronto! Acabou! E eu me perguntei:

- E agora? O que acontece?

Pra mim, aconteceu o inesperado. Na verdade, eu não sabia o que esperar daquilo. Os cachorros ficaram grudados. Os animais ficaram unidos, graças ao pinto do bicho ter inchado. Mas também, com aquele movimento todo, com aquela empolgação, dificilmente o efeito seria outro.

Depois de um tempo, o mais surpreendente: incomodado com a posição, o macho virou a perna por cima dela, e eles ficaram bunda com bunda, cada qual com a cabeça em uma direção, uma para o norte, outra para o sul, porém ainda grudados. Sei que é difícil de imaginar o que narrei agora, mas foi exatamente assim. Quem já viu, sabe o que estou falando. Aquilo foi o ápice pra mim. Parecia um monstro de duas cabeças, algo que me impressionou muito. Fiquei chocado. Nesse período, já tinha perdido dois ônibus, segundo o comentário de um dos colegas presentes. Eles pulavam mais do que se o Flamengo tivesse feito um gol numa final contra o Vasco - que cá pra nós, isso é bem comum, né? 

O espetáculo ocorreu em frente a um açougue, e logo o dono do estabelecimento veio com um balde cheio d'água fria e jogou no casal libidinoso. Fim do ato. Cada um correu para um lado da rua, enquanto o público aplaudia imoderadamente. Em seguida, o terceiro ônibus veio, e nele embarquei rumo ao lar.

Depois disso, vi mais algumas "cachorradas" dessas, mas não foram muitas. E de um bom tempo pra cá, nunca mais, até me deparar com uma cadelinha no cio e, obviamente, vários cães tarados atrás da pobrezinha - ou felizarda, depende do ponto de vista.




Não consegui fotografar todos, dois retardatários ficaram fora da imagem. Não tinha como deixar de registrar tal episódio. Ainda bem que ficar parado no engarrafamento serve para algo. Será que ficaram grudados? O que deu pra notar é que não tinha nenhum açougue por perto, para infelicidade da cadelinha.



Por Leo Nunes.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ao Volante!

O trânsito na cidade do Rio de Janeiro está um caos, e não é de hoje. Cada dia piora mais. Havia um tempo que você conseguia cortar um caminho para alcançar seu destino mais rápido, mas isso acabou. O engarrafamento está presente em todos os cantos, em todos os bairros.

Se você vai de ônibus, a situação ainda é mais complicada, pois o transporte público está degradando ao invés de melhorar, diferentemente das promessas eleitorais, mas isso é outro assunto, "se eu for falar de política, meu tempo não dá", fazendo uma paródia de um samba gravado pelo sempre bem humorado Zeca Pagodinho. Metrô e trem estão jogando passageiros pelo ladrão, e isso em qualquer horário praticamente. Está complicada a locomoção por aqui. 

E de carro? A situação não muito diferente. A vantagem é que você não depende de um motorista, a escolha pelo trajeto você mesmo faz. Mas as vias são as mesmas. Avenida Brasil, Linha Amarela, Linha Vermelha, Cândido Benício, Estrada dos Bandeirantes, Avenida das Américas etc. E olha que só citei algumas delas, cujas reclamações nas redes sociais são recordistas.

E por que estou tocando nesse assunto? Simplesmente pelo fato de que você, motorista, parado no trânsito, acaba observando cada coisa que daria para escrever um livro facilmente. Um capítulo por dia, e em dois meses, seu best-seller estaria pronto. Sejam das pessoas nas ruas, nos carros que passam pelo seu, dos ônibus lotados, das edificações nas ruas transitadas, das condições climáticas, das obras nas vias, da sujeira nas ruas, de dizeres em placas e outdoors, enfim, de dezenas de casos que são perceptíveis enquanto estamos dirigindo, enquanto estamos AO VOLANTE!

E por isso, resolvi que, a partir de hoje, irei relatar as cenas que presenciarei diante do meu cenário urbano do dia a dia. 

Aguardemos a próxima viagem.

Forte abraço, Leo Nunes.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Conto Com Todos - "A Flor do Sertão"

Juntamente com Fabiana Ratis e Rosângela Lustosa, colegas do Twitter, escrevemos um conto coletivo, no qual cada um escrevia um parágrafo, costurando cada um deles, formando-se uma "colcha de retalhos".
A ideia mostrou que a criatividade não tem limites acerca da arte de escrever. Seja só ou em conjunto, uma história sempre pode ser bem contada. Divirtam-se e comentem.



Trêmula e abatida. Nervosa ao ponto de não conseguir unir duas sílabas para completar uma só palavra. Coloquei-a sentada na cadeira da varanda, local onde encontrei em prantos logo assim que abri a porta. As roupas pareciam estar intactas, o que não aparentava nenhuma agressão recebida. No rosto, além do semblante de medo, nenhuma marca de violência física, o que me deixou, a princípio, menos tenso. Entretanto, percebi algo que me chamou a atenção, seus pés estavam completamente sujos de lama, e há um bom tempo não chovia na região. E o pior é que não conseguia obter nenhuma informação do ocorrido, pois o choro prevalecia. Fui até o portão, olhei para os dois lados da rua, não tinha uma viva alma transitando naquele momento, Com receio, levei-a pra dentro de casa, e tranquei a porta por precaução. Deitei-a ao sofá, e fui buscar um copo de água com açúcar para tentar acalmá-la.

A casa era simples e a água que tinha para beber não era potável. Não tive coragem de forçá-la a beber. Disfarcei para que ela não ficasse mais constrangida. Naquele rincão da Chapada do Araripe, na divisa entre os estados de Pernambuco e do Ceará, a escassez de tudo pairava no silêncio quase desumano. Como recenseador do IBGE, ofereci-lhe minha água. Com um sorriso tímido, disse-me o nome dela e muito mais: Cecília Clara Vitoriano Mendes, 4 filhos ainda pequenos, e o marido, que tinha ido para São Paulo em busca de serviço, não dava notícia há dois anos. Embora sofrida, dona Cecília tinha traços finos e aos poucos se revelava uma mulher educada, com modos refinados. Estava cansada, depois de andar dez quilômetros, naquele sol inclemente, para buscar água no açude mais próximo.

Pouco tempo depois, ela adormeceu. Cansada, sua resistência já não era grande e como a inquietação tinha passado, o corpo relaxou sobre as almofadas do sofá. Aqueles traços eram familiares. Não sabia de onde tinha visto aquela mulher. Ao certo, nem sabia se essa percepção era verdadeira, mas algo me trazia um conforto ao cuidar da moça, que me parecia conhecê-la há tempos. Embora isso me intrigava um pouco, não era o que mais me incomodava. Eu estava com uma mulher que, aparentemente, nunca vi antes, que apareceu em minha casa, de maneira assustadora, precisando de socorro e ao certo eu não sabia o que se passava. Precisava descobrir algo sobre sua vida, para que pudesse ajudá-la, ou me livrar de tal problema. A única coisa a fazer no momento, era esperar que acordasse para indagá-la sobre o que se decorria.
Passou-se mais ou menos duas horas, e meu sono também chegou. Adormeci na poltrona.

Não sei por quanto tempo dormi, mas um aroma de café me fez desperto, porém desnorteado... Foi quando me lembrei da misteriosa. A figura apareceu na sala com uma caneca de café em minha direção. Já não parecia assustada e pude vislumbrar traços de beleza escondidos nas vestes maltratadas. Ela pediu-me para limpar a casa, disse-lhe que não carecia. Ela, fingindo não ouvir, começou a arrumar o pouco que havia. Dei uma saída ao terreiro para matutar o que estava acontecendo. Eu, que vivia sozinho há tanto tempo, tinha uma estranha nos meus aposentos, já tomando conta dos meus pertences... eram poucos, mas eram meus. Estaria ficando abestado por acaso?

Eu estava carente. Aos 36 anos, tão novo e já viúvo há dois anos. Minha esposa morreu no parto do nosso segundo filho, Vitório. Dona Cecília era uma senhora de respeito, mas logo percebi a tristeza do abandono em seu olhar. Eu precisava refazer a minha vida e ela também. Passei a olhá-la com outros olhos. Olhar de admiração, por enquanto apenas sondando, observando. Não queria parecer precipitado, mas a companhia dela me dava um novo ânimo. Ficamos amigos. Decidi que iria construir uma cisterna para acumular água. E ela se ofereceu para ajudar. Passou a frequentar minha casa, indo embora no fim da tarde. Prometi a dona Cecília que ela não mais passaria privações por falta d'água. Não saía da minha cabeça a imagem dela, com os pés sujos de lama, vinda do açude quase seco, onde o pouco d'água que restava era barrenta e imprópria para o consumo.

Pensativo. Foi assim que passei a manhã inteira daquela sexta-feira. Fazia uma semana que aquela mulher bateu em minha porta em estado de choque, e sabia que em instantes ela apontaria no portão novamente. Algo me intrigava: depois do primeiro dia, Cecília nunca mais falou dos filhos, nem de onde morava, nem mais detalhe nenhum da sua humilde existência. É como se ela estivesse formando uma nova vida, deixando o amargo passado para trás, e isso me fez ficar desconfiado. O relógio pendurado na parede da cozinha marcava doze horas e quinze minutos quando alguém bateu no portão, e como de costume dos últimos dias, achei que fosse Cecília, e fui atendê-la. Ao chegar à porta da varanda, deparei-me com um homem alto, carrancudo, de chapéu e um paletó surrado, com olhar fixado em minha direção.

- Pois não, senhor! - Dirigi-me ao sujeito.

- Sou Benedito Vitoriano, marido de Cecília, e vim ter um prosa com o senhor. - ele me respondeu com uma voz rouca e nada amigável.

Confesso que me assustei com aquela inesperada visita. Mas não podia demonstrar, tinha que ficar calmo.

- Meu nome é Ricardo. A que devo o prazer da visita, Seu...

- Minha mulher tem andado muito por aqui, andei sabendo. E não sou "home" de levar desaforo pra casa!

- Cecília é uma mulher direita e o senhor não tem nenhum motivo pra desconfiar...

- Andam dizendo por aí que sou corno e o motivo está aqui na minha frente!

E o homem, sacando uma peixeira da bainha pendurada na cintura, partiu em minha direção, com o braço levantado. Eis, que um vulto de mulher, vindo do nada, saltou-lhe na frente:

- Não cometa essa loucura, Benedito! A polícia já te procura por todo o estado e você ainda pretende fazer mais besteira? Suma antes que eu mesma procure a autoridade para lhe levar daqui! - esse foram os gritos de Cecília ao entrar na frente do marido.

- Eu vou, mas dessa vez é pra nunca mais voltar, Cecília! Eu não sou "flor que se cheira", mas também não merecia tudo o que já me fez passar nessa vida. Cuide bem das "criança", coisa que nunca deixou que eu fizesse. Inté. - voltando a guardar a arma, o homem deu as costas e em passos curtos e lentos, cabisbaixo, foi se afastando da casa sem se quer olhar para trás, até que sumisse no fim da estrada.

Eu não tinha mais cor. O susto que tomei me deixou subitamente plantado no chão que pisava. Não tinha forças para mover minhas trêmulas pernas, meus braços pareciam pesar uma tonelada cada, e minha voz parecia ter sido levada pelo raivoso homem que quase me matou. Diferentemente dos meus membros, meu pensamento foi voltando ao normal, e consegui olhar para a mulher causadora de tal situação e ao mesmo tempo salvadora da minha vida há poucos minutos. Não sabia o que falar, e pelo visto, ela também não. Seu olhar ficou na poeira deixada pelas pegadas do Benedito, até que se virou lentamente para mim, mas não conseguiu me direcionar o olhar. Depois de minutos naquela situação de silêncio, ela tomou a estrada sentido contrário do marido, e se foi, do mesmo jeito que ele, cabisbaixa e lenta.

Após me debater durante boa parte da noite, finalmente consegui acordar do pesadelo... Minha vida era tão sem perspectiva que havia reproduzido na mente o que gostaria que acontecesse na realidade. Nunca desejei a morte do meu marido, mas, no íntimo, que ele fosse embora. Ricardo Flores, recenseador do IBGE, era homem letrado e fino. Sabia falar com modos, ao contrário de Benedito: rude, grosseiro e metido a valentão. Aturdida, abri os olhos e não encontrei mais o Benedito na cama. Acendi a luz e corri para ver os filhos. Todos estavam dormindo. Mais tranquila, observei um bilhete sobre a mesa da cozinha e comecei a ler: "Sei que se casou obrigada comigo e não é feliz, Cecília. Vou embora e prometo enviar uma ajuda mensal para os meninos. Você está livre para seguir a sua vida", disse Benedito. O dia já estava amanhecendo... Contente, coloquei o melhor vestido e fui ao encontro de Ricardo contar a novidade.



Por Fabiana Ratis(@fabianaratisBR), Leo Nunes(@leo_nunes_rj) e Rosângela Lustosa(@ro_lustosa).


segunda-feira, 18 de março de 2013

Projeto "Conto Com Todos"

Juntamente com amigos escritores do Twitter, tive a ideia de criarmos alguns textos de forma "comunitária".

E como funciona isso? Um dos participantes começa um texto, um parágrafo não muito extenso, e os outros vão criando as demais partes, montando assim um quebra-cabeça, cada qual com a sua ideia. O bacana é que surpresas vão aparecendo a cada trecho postado, levando sempre a um final surpreendende e curioso.

Não deixe de acompanhar! O conceito é legal, e a imaginação flui de maneira inesperada a cada momento!

Curta e aproveite!


Forte abraço,

Leo Nunes.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Tá de Sacanagem???

Viajar para lugares diferentes de onde vivemos gera sempre a curiosidade, sobretudo pelos costumes dos locais. E isso não é só para cidade do interior não, isso ocorre nas grandes metrópoles também. É cada coisa que a gente vê, e acaba nos gerando estranheza por ser diferente do que estamos acostumados.
 
Passei uma semana na capital paulista, ou paulistana, sei lá, parece que tem diferença, até pensei em buscar no google, mas depois faço isso, e com isso andei bastante de táxi. História de taxista chega bem próximo da de pescador, mas taxista de outra localidade é mais inusitada ainda.
 
Outro dia, peguei um que parecia que só falava palavra com a letra r: FiRRRmeza? pode bater a poRRRta com foRRRça! PeRRRfeito! Depois de uns minutos de conveRRRsa, ele me perguntou de onde eu era, e eu falei. Ele me olhou pelo retrovisor com uma cara e falou: Meeeeu, você parece com um cantor aqui de SP! E depois de pensar muito, desistiu desse assunto. Depois comentou que gostava muito das pessoas do Rio, que se dava bem com eles, e seu carro ficava mais feliz quando o passageiro era carioca. Aí, chegou a parte mais engraçada da viagem.
 
Ele:
- Meeeeu, tem algumas coisas que vocês falam que é fiRRRmeza! Aqui, quando a gente discoRRRda de alguém, xingamos logo da mãe pra baixo, vocês, cariocas não, falam assim: tá de sacanagem, meu? Ou melhor, tá de sacanagem, sem "meu"...!
 
O resto da viagem, isto é, aproximadamente uns 15 minutos, ele só ria e falava isso: "tá de sacanagem??". Comentou que uma vez esteve na zona sul do Rio, e que conheceu um cara que falava isso pra tudo, "tá de sacanagem" pra lá, "tá de sacanagem" pra cá... e ria o tempo todo!!! Procurou um local de samba aqui no Rio, e esse tal cara só o levou para forró. Ele disse para o sujeito: "tá de sacanagem?? Forró, nordestino, arrasta pé é o que mais tem em SP... Tá de sacanagem!!!
 
Se a minha corrida fosse tarifada pela quantidade de "tá de sacanagem" que ele falou, o valor duplicaria!
 
 
Por Leo Nunes.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Derrocada no Carnaval Carioca

Alguns resultados desse carnaval não foram bons. Nem pra quem torce, nem pela história do samba.
 
Lembro-me que em 2003, ano que eu e meu parceiro de composição, Silas Nascimento, tivemos o prazer de conquistar a disputa de samba-enredo na Renascer de Jacarepaguá, o que seria nossa primeira vitória dentro do mundo do samba. A escola desfilou na terça-feira de carnaval, na Marquês de Sapucaí, com os componentes e parte da arquibancada cantando o hino composto por nós dois. Prazer inesquecível. E nesse mesmo ano, pouco antes do carnaval, visitamos algumas escolas, chamadas de coirmãs, para divulgar nosso trabalho, nossa conquista, e aproveitamos uma determinada noite para comparecer a uma final de samba na Unidos do Uraiti, em Rocha Miranda.
A festa estava bacana, apesar da quadra não muito cheia, mas foi um evento diferente, inusitado. Dentre os finalistas, uma dupla de cegos, cuja parte da sua torcida portava a mesma deficiência. Foram campeões. Emocionou a todos. A escola ainda pertencia ao Grupo D, e desfilava na Intendente Magalhães, em Campinho.
 
Certo dia, passei em frente a quadra da Uraiti, e percebi que estava fechada. Parecia em obras. E por outras vezes, e mais vezes transitando por lá, e tudo permanecia do mesmo jeito. Até que descobri que a escola tinha perdido o seu rumo: caiu até virar bloco. O sentimento foi ruim, pois atrás daquele muro havia uma história dentro do carnaval carioca, havia pessoas com sentimentos verdadeiros pela escola, afinal de contas, ela foi fundada em 1960, e acabar assim é triste demais.
 
Comecei falando da Uraiti para apresentar minha angústia maior: o declínio da União de Vaz Lobo, escola onde concorri pela primeira vez num concurso de samba-enredo. Da mesma forma, em 2012 está também foi rebaixada a bloco, desfilando na Av. Rio Branco. E permanece. A sua fundação é mais antiga ainda, 1930, e ilustres personagens do samba carioca tiveram sua passagem por lá, como a ex-porta-bandeira Vilma Nascimento e Juju Maravilha, assim como o grande compositor Zé Keti. Ultimamente, perdeu parte da sua quadra, localizada na Av. Ministro Edgard Romero, para as obras da TransCarioca.

E para completar, esse ano, mais uma rompeu ladeira à baixo: Vizinha Faladeira, que é de 1932, escola da Zona Portuária. Esta já chegou enrolar a bandeira por 48 anos, retornando em 1989.

Questões: O que precisa para administrar uma escola de samba? Quais os maiores problemas que ocorrem para escolas desse porte chegarem onde estão chegando? Falta amor ao pavilhão? Verba? Organização? Será desleixo?

Enfim, fica registrado meu desalento.


Por Leo Nunes.

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

E Durante o Carnaval...

...as duas notícias bombásticas - literalmente a primeira - que surgiram no mundo durante o período do carnaval foram:

  1. Coreia do Norte desafia a comunidade internacional com novo teste nuclear;
  2. Papa Bento XVI renuncia alegando problema de saúde.

Faça seus comentários sobre os assuntos.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Carnavalite 2013

Num divertido papo pelo twitter, uma colega disse a outra que já estava melhor das "ites".
 
Imaginei: amidalite, apendicite, tendinite, pleurite, gengivite, conjuntivite, labirintite, laringite, gastrite, encefalite, dermatite, hepatite, bronquite, rinite, sinusite, meningite, otite ou, quiçá, celulite? E como diz a fascinante letra da música de Marcelo Fromer(in memoriam), Tony Belloto e o fabuloso Arnaldo Antunes, na época dos Titãs, "E o pulso, ainda pulsa"!
 
Na mesma hora, veio-me na cabeça que estamos às vésperas do CarnavalITE, esse evento louco e mágico que nos deixa com o corpo inteiro inflamado de calor - que também pode ser classificado como inflamável - e outras sensações. Digo inflamado porque o sufixo "ite" indica alguma inflamação em orgãos da nossa carcaça ambulante, pulante e dançante - e dá-lhe mais um sufixo!
 
Sendo assim, é bom que esteja realmente curada das indesejáveis "ites".
 
Seja bem vindo, CarnavalITE 2013! E que Deus nos direcione amor, saúde, paz e bastante proteção durante esse período. E sempre.
 
 
Por Leo Nunes.

O Retorno

É, leitores amigos, depois de um longo tempo parado, estou voltando devagar.

E vamos colocar a cabeça pra funcionar, e as letras na tela - e no papel!

Forte abraço a todos!

Leo Nunes.